[Diário de bordo da existência] oito de copas
- limafilho

- 23 de jul.
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Atualizado: 24 de jul.
O ano: 2026. Minha idade: 27 anos mentidos (dizem que, na verdade, é 31). Venho, nos últimos anos, redescobrindo o andar. Pouco a pouco, fazendo novos caminhos — ou vivendo os caminhos que os medos nunca antes me permitiram traçar.
O poeta disse: "Caminante, no hay camino, se hace camino al andar." E eu cri no poeta. Por isso, agora estou andando; muito mais neste momento do que quando descobri, aos poucos meses de vida, que era capaz de erguer essa massa de barro e sangue pelo mundo.
"Se hace camino al andar." A frase reverbera aqui dentro, em um eu que galga sua busca por tudo aquilo que transcenda a natureza física das coisas.
Cerrados espaços, abri-vos para o novo! É chegado um novo ciclo!
Você que me lê, abstração é necessária quase sempre. Você que me lê, o que digo, geralmente, é muito sutil; os ouvidos do corpo não captam com a precisão necessária. Abri, então, os ouvidos da alma para ouvir. Despi-vos dos espinhos e acalentai a essência.
Que a minha palavra siga o curso do vento e encontre quem precise dela, ainda que eu jamais saiba quem é. Que ela atravesse distâncias, tempos e silêncios, chegando sempre ao lugar exato. Se existe em mim o sonho de permanecer escrito nas linhas da vida, não nasceu deste eu que escreve, mas daquele outro, mais antigo, que apenas às vezes me empresta a voz.
E a mim, apenas uma lembrança: não esquecer o tempo. Mesmo quando a tristeza se demorar à porta, que eu não me esqueça — como escreveu Clarice — de que, por enquanto, é tempo de morangos.
Sim.

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